7 perguntas sobre o uso da IA no ciclo de receita hospitalar

Do faturamento à conciliação, entenda como a tecnologia pode tornar processos mais integrados, eficientes e preditivos.

No dia 11 de agosto, a Anahp realizou mais uma edição do Café da Manhã, desta vez em parceria com a MV, uma das maiores healthtechs que atuam em diferentes segmentos da saúde, para discutir o uso da inteligência artificial no ciclo de receita hospitalar.

O encontro abordou aplicações da tecnologia em processos como auditoria, faturamento, contratos, glosas e conciliação. E o foco esteve nas possibilidades de uso de agentes de IA para conectar diferentes etapas do ciclo financeiro e apoiar decisões com base em dados.

Participaram:

  • Jeferson Sadocci, diretor corporativo de Mercado e Cliente da MV
  • Henrique Antunes, CEO da GIF Healthtech

Principais pontos:

1. Onde começa a transformação do ciclo de receita?

O ciclo de receita ainda reúne diferentes níveis de automação. Há operações baseadas em planilhas e controles manuais, outras que já trabalham com sistemas integrados e regras de negócio e, em um estágio mais avançado, processos automatizados e capazes de gerar análises a partir dos próprios dados.

A inteligência artificial entra nessa evolução como uma nova camada de atuação.

O caminho apresentado no encontro:

Operação manual: Planilhas, controles isolados e tarefas repetitivas.

Semiautomação: Sistemas integrados e regras de negócio, ainda com intervenção humana.

Automação: Processos executados sem intervenção humana em determinadas etapas.

IA operacional: Agentes que analisam informações, identificam situações e apoiam decisões.

A avaliação do nível de maturidade ajuda a definir onde a tecnologia pode produzir resultado e onde ainda existem problemas de processo que precisam ser resolvidos antes.

2. O que a IA consegue encontrar em uma conta?

Um dos exemplos apresentados mostrou como a tecnologia pode cruzar informações que normalmente estão distribuídas entre auditoria, contratos e histórico de glosas.

Um item pode estar corretamente lançado segundo o conhecimento disponível no momento da auditoria e, ainda assim, ter sido objeto de uma glosa anterior ou de uma alteração contratual recente.

A IA consegue recuperar essas informações e sinalizar a divergência.

Dois exemplos discutidos

  • Um código que já havia sido glosado anteriormente pode ser substituído por outro com maior aderência ao histórico.
  • Um aditivo contratual pode alterar o valor de uma taxa e a IA identificar que o cadastro ainda não foi atualizado.

A análise passa a considerar o histórico da operação, e não somente o conteúdo daquela conta.

3. E se a conta for corrigida antes de chegar ao faturamento?

A chamada esteira inteligente foi apresentada como uma das aplicações possíveis.

O sistema pode estabelecer caminhos diferentes conforme o tipo e a situação da conta. Uma conta com pendência pode permanecer em uma etapa específica até que a checagem seja concluída, em vez de seguir automaticamente para o faturamento.

Outro exemplo é o Conta Limpa, que permite programar revisões automáticas de taxas, diárias e outros lançamentos. Em determinadas situações, a conta pode ser auditada, fechada, enviada para remessa e ter o XML encaminhado sem intervenção manual em cada etapa.

A lógica muda a posição da auditoria dentro do processo. Parte dos problemas passa a ser identificada enquanto a conta ainda está em construção.

4. O que muda na relação com os contratos?

A IA pode acompanhar contratos e aditivos, identificar mudanças e comparar essas informações com os parâmetros utilizados na operação.

Um exemplo apresentado envolveu uma taxa reajustada por um aditivo contratual. O valor correto estava no contrato, mas ainda não havia sido atualizado no sistema. A IA de auditoria identificaria a diferença; a IA de contratos poderia sinalizar a necessidade de atualização conforme a nova vigência.

Também entram nessa análise

  • Tabelas de cobrança
  • Regras de negócio
  • Itens descontinuados
  • Codificação
  • Valores contratados
  • Vigências
  • Histórico de alterações

A atualização das bases de cobrança também pode ajudar a antecipar situações que poderiam resultar em glosa.

5. Onde entram os agentes de IA?

A apresentação mostrou diferentes possibilidades de atuação ao longo do ciclo de receita, com agentes especializados em funções específicas.

Entre as aplicações apresentadas estão:

Clínico: lê a documentação clínica — como ficha cirúrgica e evolução do paciente — para apurar corretamente a produção que deve virar receita.

Contratos: acompanha documentos, aditivos, tabelas e vigências, atualizando automaticamente o cadastro quando identifica mudanças.

Auditoria: analisa contas, valores, codificação e regras, sinalizando divergências antes do faturamento.

Caixa: atua na etapa final do processo, cuidando de glosas, recursos (primeiro e segundo) e da conciliação financeira.

A proposta é conectar essas funções para que os dados produzidos em uma etapa alimentem as seguintes. A GIF, que começou como uma solução de faturamento, passou a atuar sobre diferentes etapas do ciclo financeiro.

6. Quanto a automação pode representar para o hospital?

Os estudos apresentados durante o encontro apontaram potencial de 30% a 60% de redução do custo operacional, dependendo do nível de maturidade da instituição e das etapas analisadas. Entre os pontos considerados estão pré-faturamento, elegibilidade, codificação, glosas e conciliação.

Outro ponto discutido foi a necessidade de acompanhar esses ganhos por meio de indicadores. A automação precisa estar sob controle, com dados que permitam entender o que está funcionando e onde estão os desvios.

O resultado, portanto, depende da combinação entre tecnologia, processo e maturidade da instituição.

7. Como decidir onde investir?

Hospitais podem estar em estágios muito diferentes dentro do ciclo de receita. Alguns ainda concentram esforços em tarefas manuais; outros já têm processos automatizados e estão prontos para explorar agentes capazes de gerar análises e antecipar problemas.

Antes de avançar, vale olhar para:

  • Nível de automação dos processos
  • Qualidade dos dados
  • Principais causas de glosa
  • Tempo gasto em tarefas manuais
  • Integração entre contrato, auditoria e faturamento
  • Capacidade de acompanhar indicadores
  • Pontos em que a IA pode gerar ganho mensurável

A apresentação também destacou que essas tecnologias podem ser aplicadas a diferentes ambientes de gestão hospitalar, independentemente do sistema utilizado pela instituição.

Perguntas para orientar o processo

  • Onde estão hoje os principais gargalos do ciclo de receita?
  • Quanto do processo ainda depende de planilhas e tarefas manuais?
  • As informações de contrato chegam à operação com rapidez?
  • As glosas são analisadas para prevenir novos casos?
  • A auditoria consegue acessar o histórico necessário para tomar decisões?
  • Quais etapas podem ser automatizadas agora?
  • A instituição tem indicadores para medir o resultado da automação?
  • O nível de maturidade atual justifica a adoção de agentes de IA?

A discussão mostrou que a inteligência artificial já encontra aplicações concretas no ciclo de receita. O ganho depende da qualidade do processo em que ela será inserida, da integração dos dados e da capacidade de acompanhar os resultados.

Quer saber mais? Assista na íntegra:

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