Estamos mais alérgicos? O crescimento das alergias ao redor do mundo

Cada vez mais pessoas têm desenvolvido alergias ao redor do mundo. Veja quais os fatores que vêm contribuindo para o crescimento desse número ao longo dos anos

Segundo a World Allergy Organization (WAO), é estimado que 30 a 40% da população mundial tenha algum tipo de alergia, e esse número tende a subir. O crescimento tem acontecido, principalmente, em crianças e jovens adultos.

Esse aumento na prevalência de alergias na população mundial tem sido observado conforme a urbanização e a industrialização aumentam, como diz Cristina Abud de Almeida, alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. “O aumento rápido das doenças alérgicas sugere que as mudanças ambientais, estilo de vida, comportamento individual e dieta que estão ocorrendo nos últimos 150 anos podem ter papel essencial neste fenômeno.”

Fabiana Mascarenhas, imunologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, adiciona que “o aumento da frequência de doenças alérgicas é considerado um fenômeno real e bem documentado, tanto globalmente quanto no Brasil. Dados de estudos científicos de diferentes países mostram que, principalmente, as taxas de asma, rinite alérgica, dermatite atópica e alergias alimentares têm aumentado nas últimas décadas em crianças e adultos.”

O que tem causado o aumento das alergias?

A imunologista explica que o aumento das doenças alérgicas nas últimas décadas é multifatorial e tem sido amplamente estudado pela comunidade científica. Segundo ela, são quatro os principais fatores que contribuem para esse crescimento:

A teoria da higiene

Embora os novos hábitos de higiene tenham sido essenciais no aumento geral da expectativa de vida da população, controlando muitas doenças virais e bacterianas, essa teoria defende que a baixa exposição a microrganismos durante a infância, o uso frequente e excessivo de antibióticos e partos via cesariana impedem que o nosso sistema imunológico se desenvolva tanto – impactando, assim, no prevalência de alergias.

Mudanças na microbiota intestinal 

“A microbiota tem papel fundamental na modulação da resposta imune”, explica Fabiana. As alterações nessa microbiota podem acontecer por dietas com baixo teor de fibras, consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, ausência de amamentação na infância e uso precoce de antibióticos. Todos esses fatores podem comprometer a regulação do sistema imunológico e promover o aparecimento de alergias. 

Urbanização e poluição 

Ambientes urbanos, com ar mais poluído, favorecem a inflamação das vias aéreas e aumentam a exposição a alérgenos.

Aumento e precisão no número de diagnósticos

A imunologista explica que é importante considerar o avanço na precisão dos diagnósticos e a conscientização da população em relação às alergias – o que impacta diretamente nos índices.

Além de todos esses pontos, o alergologista do Vera Cruz Hospital de Campinas, Celso Henrique de Oliveira, complementa que “estamos vivendo em ambientes mais controlados e fechados. Facilidades do dia a dia como streamings, TV e ar condicionado, por exemplo, fazem com que as pessoas fiquem em casa por mais tempo e, logo, estejam mais em contato com a poeira de dentro de casa. Especialmente no Brasil, o ácaro é um grande problema”.

Mas, afinal, o que é alergia? 

“A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a substâncias que, na maioria das pessoas, são inofensivas. Essas substâncias são chamadas de alérgenos, como ácaros da poeira, pelos de animais, alimentos ou medicamentos “, explica Fabiana.

É quase como um engano do nosso sistema imunológico, já que essas substâncias não fazem mal ao corpo humano. Os níveis dessas respostas vão variar de pessoa para pessoa, mas podem ser desde uma coceira leve, por exemplo, a casos mais extremos que podem também ser fatais.

A médica explica que as alergias podem ocorrer de forma imediata, ou dias depois da exposição ao alérgeno. Em alergias que acontecem imediatamente, o sistema imune identifica esses alérgenos como substâncias estranhas e produzem anticorpos do tipo IgE. Já em alergias que acontecem algum tempo depois, a resposta exagerada acontece em função de células chamadas linfócitos. 

Tipos de alergia

Segundo a imunologista, existem sete tipos de alergia: 

Alergia respiratória

  • Rinite alérgica: espirros e coriza e obstrução nasal.
  • Asma alérgica: falta de ar, chiado ao respirar e aperto no peito. 


Ambas são  causadas pela inalação de alérgenos como pó, ácaros, pólen, fungos ou pelos de animais.

Alergia cutânea

  • Urticária: surgimento súbito de placas vermelhas na pele que causam coceira com inchaço ou não. 
  • Dermatite atópica: doença inflamatória crônica que se apresenta em lesões chamadas de eczema.

Dermatite de contato

Surgimento de lesões tipo eczema que aparecem algum tempo depois do contato com metais, cosméticos ou produtos químicos. 

Alergia medicamentosa

Podem acontecer imediatamente ou não à ingestão de algum medicamento. Os sintomas podem ser simples ou mais graves, dependendo do indivíduo. 

Alergia alimentar

Comumente são causadas por leite de vaca, ovo, amendoim e camarão. Podem causar desde coceiras na pele até reações mais graves, como falta de ar. 

Alergia a venenos de insetos

Podem ser causadas por insetos como abelhas, vespas ou formigas, por exemplo, e os sintomas também variam de pessoa para pessoa – podendo ser leve e pontual ou sistêmico. 

Anafilaxia

Segundo a imunologista, é uma forma grave de alergia e “Trata-se de uma reação sistêmica, potencialmente fatal, caracterizada por comprometimento respiratório, cardiovascular e/ou cutâneo,que ocorre logo após a exposição ao alérgeno”.

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