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Início > Saúde da Saúde > Medicina > Preciso fazer uma cirurgia, e agora? Conheça os protocolos de segurança e enfrente esse momento com menos medo

Preciso fazer uma cirurgia, e agora? Conheça os protocolos de segurança e enfrente esse momento com menos medo

  • 6 de julho de 2026

A segurança cirúrgica vai muito além da sala de cirurgia. Antes, durante e após o procedimento, protocolos rigorosos reduzem riscos e ajudam a proteger o paciente.

O hospital é bem preparado? Estarei em boas mãos? E a anestesia? Essas são só algumas das preocupações de quem vai passar por uma cirurgia.

Para acalmar o coração, saiba que, nos bastidores, existe um trabalho coordenado para evitar falhas. Com a contribuição de Helidéa Lima, diretora de Qualidade Assistencial da Rede D’Or, explicamos como funcionam esses protocolos de segurança.

Como saber se o hospital onde vou operar é bom?

“Hospital seguro é aquele que evita erros, aprende com incidentes e evolui de forma contínua”, explica Lima. Embora esse trabalho pareça invisível para quem está de fora, existem sinais práticos que ajudam a notar o compromisso com a saúde.

Um deles são as certificações de qualidade, como a da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que avalia a segurança das instituições no país, e a da Joint Commission International (JCI), acreditação internacional que atesta elevados padrões de qualidade e segurança assistencial.

A diretora esclarece que esses reconhecimentos não eliminam totalmente os riscos, mas demonstram que o hospital possui uma estrutura segura. “Para além das certificações, qualidade e segurança são práticas diárias que protegem vidas”, diz.

Entre as boas práticas, estão:

  • identificação constante: a conferência da pulseira e confirmação do nome completo antes de procedimentos e administração de medicamentos;
  • higienização das mãos: realizada pelos profissionais antes e após o contato com o paciente;
  • comunicação clara: informações ao paciente sobre tratamento, riscos e orientações de alta;
  • comunicação multiprofissional: integração entre profissionais de diferentes especialidades que conversam entre si para coordenar o plano de tratamento.

Quais são as etapas de segurança de uma cirurgia?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece um checklist dividido em três momentos.

Entrada (Sign In) 

Antes da anestesia, a equipe verifica a identidade do paciente, o procedimento, o local a ser operado e o termo de consentimento. Quando indicado, o cirurgião faz a marcação da área que será operada. 

Nessa etapa, também são avaliados alergias, tempo de jejum, medicamentos em uso e possíveis riscos, como dificuldades respiratórias.

Pausa cirúrgica (Time Out) 

Antes da primeira incisão, toda a equipe faz uma pausa para validar, em voz alta, as informações do paciente e da cirurgia. Os profissionais também apresentam suas funções, conferem o funcionamento dos equipamentos e a disponibilidade dos exames para consulta e discutem os possíveis momentos críticos do procedimento.

Saída (Sign Out) 

A equipe registra o procedimento realizado, faz a contagem de instrumentos, compressas e agulhas, rotula os materiais enviados para análise, quando houver, e define os principais cuidados do pós-operatório.

O que acontece depois da cirurgia?

A assistência ao paciente inclui a fase pós-operatória imediata. “Na sala de recuperação pós-anestésica, a equipe monitora os sinais vitais, controla a dor e atua na prevenção de infecções e outras complicações”, detalha Lima. 

Depois, já no quarto, a equipe acompanha a evolução clínica, revisa os resultados do procedimento e orienta o paciente e a família sobre os cuidados necessários em casa.

Quem faz parte da equipe cirúrgica?

A cirurgia envolve uma equipe multiprofissional que atua em conjunto pela segurança do paciente.

Dentro da sala:

  • cirurgião;
  • anestesista;
  • enfermeiros;
  • técnicos de enfermagem;
  • instrumentadores cirúrgicos.

Fora da sala:

  • profissionais do Centro de Material e Esterilização;
  • farmacêuticos, que apoiam a segurança do uso de medicamentos;
  • fisioterapeutas, envolvidos no preparo e na recuperação do paciente.

O anestesista fica o tempo todo comigo durante a cirurgia?

Sim. Segundo a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), além de administrar a anestesia, ele monitora funções como pressão arterial, batimentos cardíacos, respiração e temperatura, garantindo segurança e controle da dor ao longo do procedimento.

Ao final da cirurgia, o anestesista permanece ao lado do paciente até que ele esteja desperto, seguro e estável.

Preciso seguir todas as orientações da equipe cirúrgica?

Segundo o Manual de Orientações ao Paciente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), as recomendações da equipe são essenciais para reduzir riscos. E elas costumam gerar dúvidas:

Vou fazer uma cirurgia, posso beber água e comer?

Não, é preciso fazer jejum absoluto no tempo solicitado pelos profissionais de saúde. Durante a anestesia, os reflexos naturais que impedem a entrada de alimentos e líquidos nas vias respiratórias ficam temporariamente reduzidos. Seguir rigorosamente o tempo de jejum orientado diminui o risco de aspiração pulmonar — uma complicação grave que ocorre quando o conteúdo do estômago vai para os pulmões.

Vou fazer uma cirurgia, preciso tomar banho?

Sim, o banho antes da cirurgia ou a aplicação de lenços antissépticos no hospital ajudam a reduzir a quantidade de microrganismos na pele, diminuindo o risco de infecção no local da cirurgia.

Vou fazer uma cirurgia, posso pintar a unha?

Não. Esmalte e unhas postiças podem dificultar a monitorização da oxigenação durante o procedimento.

Vou fazer uma cirurgia, posso usar acessórios?

Não. Joias e relógios podem interferir na avaliação da circulação e causar lesões em caso de inchaço durante ou após a cirurgia.

Vou fazer uma cirurgia, posso tomar mounjaro e outros remédios?

Alguns medicamentos precisam ser suspensos ou ajustados antes da cirurgia. É o caso de alguns anticoagulantes, medicamentos para diabetes e para emagrecimento à base de agonistas do receptor GLP-1, como semaglutida e tirzepatida. 

Essa indicação acontece para reduzir o risco de sangramento, evitar alterações na glicemia ou diminuir o risco de aspiração durante a anestesia, dependendo do medicamento.

Por isso, informe à equipe todos os medicamentos, vitaminas, suplementos e fitoterápicos (como chás naturais) que você utiliza e nunca interrompa um tratamento por conta própria.

Vou fazer cirurgia, posso tomar cerveja e outras bebidas alcoólicas?

Não, pois o uso de álcool antes de cirurgias está relacionado a uma série de complicações durante e depois do procedimento. O tempo exato de pausa deve ser definido com os profissionais de saúde que estão cuidando do seu caso.

Dá para controlar a ansiedade antes da cirurgia?

Existem estratégias que podem ajudar pacientes a passarem por esse momento com mais tranquilidade:

  • conte com alguém de confiança: peça que um familiar ou amigo acompanhe sua internação e ofereça apoio durante esse momento;
  • pense no benefício da cirurgia: em vez de focar apenas no procedimento, lembre-se do objetivo do tratamento, como aliviar um sintoma, recuperar movimentos ou retomar atividades do dia a dia;
  • mantenha a mente ocupada: nos dias que antecedem a cirurgia, leia um livro, ouça mais música, assista a comédias ou pratique atividades que ajudem a desviar a atenção de pensamentos negativos;
  • experimente técnicas de relaxamento: faça respirações lentas e profundas ou pratique o relaxamento muscular progressivo. A técnica consiste em contrair um grupo muscular por cerca de cinco segundos e, em seguida, relaxá-lo por cerca de dez segundos, repetindo o processo em diferentes partes do corpo. 

O que não fazer antes de uma cirurgia

Estudos do Centro Nacional de Informação Biotecnológica dos Estados Unidos (NCBI) alertam sobre duas práticas comuns que parecem ajudar a relaxar, mas trazem riscos à segurança.

A primeira é o uso de sedativos para conseguir dormir na véspera da cirurgia. É fundamental avisar a equipe médica caso você tenha tomado algo por conta própria antes de chegar ao hospital. 

O segundo alerta vai para o cigarro. A tendência de fumar mais para controlar a ansiedade é perigosa, pois o tabagismo aumenta os riscos de complicações e prejudica a cicatrização. A recomendação é interromper o hábito ou iniciar tratamentos de substituição de nicotina um a dois meses antes do procedimento.

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