Aleitamento materno: tire as principais dúvidas de quem amamenta pela primeira vez

O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber. Veja abaixo respostas de uma especialista para as principais perguntas sobre amamentação

De acordo com o Estudo Nacional de Alimentação Infantil (Enani) do Ministério da Saúde, o aleitamento materno está em crescimento no Brasil. Os dados mostram que, entre 2019 e 2020, mais da metade das crianças continua sendo amamentada no primeiro ano de vida.

O aumento constante desses índices é motivo de comemoração por toda a área da saúde, já que o aleitamento materno traz diversos benefícios tanto para o bebê quanto para quem amamenta.

Clery Bernardi Gallacci, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, diz que o leite materno é um alimento completo e que sua composição é complexa, permitindo o desenvolvimento adequado de peso e altura (pondero estatural) e neuropsicomotor dos bebês. Ele também oferece nutrientes e células de defesa que vão agir contra processos infecciosos.

“O leite humano é o alimento padrão ouro desde o nascimento até o sexto mês de vida”, enfatiza. 

Além disso, o vínculo nutrido entre a mãe e o recém-nascido no momento da amamentação cria estímulos sensoriais e táteis para o bebê que irão ter papel importantíssimo no desenvolvimento a curto, médio e longo prazo. 

A seguir, tire as dúvidas mais comuns entre quem amamenta pela primeira vez.

Toda mulher pode amamentar? Existem restrições?

“A capacidade de amamentar está presente em todas as mulheres”, afirma Gallacci. No entanto, a médica diz que algumas situações podem fazer com que a amamentação seja contraindicada. 

Por exemplo, mães que sejam portadoras de vírus da imunodeficiência, o HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas – um retrovírus humano), quando a mãe está fazendo uso de medicamentos para neoplasias (câncer) ou de drogas derivadas de lítio. 

Quem tem prótese de silicone ou fez cirurgia de redução de mamas consegue amamentar?

Quando a técnica é feita de forma correta, sem lesionar ductos mamários, a colocação de silicone não é um problema para a amamentação. Já nos casos da cirurgia de redução mamária, pode acontecer de alguns desses ductos serem perdidos devido aos cortes da cirurgia – impedindo, assim, a liberação do leito que o corpo produz.

É normal sentir dor durante a amamentação?

A pediatra diz que “amamentar não deve doer”. Pode acontecer de haver algum desconforto no período de adaptação, mas a amamentação deve ser agradável para ambos, tanto para a mãe quanto para o bebê. 

Segundo o Ministério da Saúde, na hora da amamentação, o bebê deve sempre estar virado para a mãe, bem junto ao seu corpo, apoiado confortavelmente e com os bracinhos livres. A cabeça deve ficar de frente para a mama e o nariz bem frente ao mamilo. A mãe deve colocar o bebê para sugar assim que ele abrir bem a boca. 

É possível observar, quando a pega estiver correta, que o queixo do bebê vai encostar na mama da mulher, os lábios vão ficar virados para fora, o nariz fica livre e a aréola (parte escura em volta do bico) fica mais aparente na parte de cima da boca do bebê do que na de baixo.  

“Caso a mãe continue enfrentando dificuldades, o acompanhamento precoce com profissionais capacitados pode ajudar, fazendo que a amamentação seja prazerosa e sem dor”, completa a pediatra.

É necessário controlar o tempo de cada mamada do bebê? Dar ou não dar as duas mamas sempre?

Segundo Gallacci, a mãe não deve ficar atenta ao relógio e sim na sucção do bebê e no esvaziamento das mamas. Cada bebê terá seu tempo de mamada e, com o passar das semanas, o período irá se tornando mais breve e efetivo.

Já sobre oferecer ou não sempre as duas mamas: a pediatra comenta que, durante as primeiras semanas, é importante ter o estímulo em ambas as mamas, porém sem um tempo preciso. Após o período inicial, é importante que a lactante sinta o esvaziamento das mamas, sendo possível assim oferecer a outra mama após a primeira ser esvaziada e, na mamada seguinte, iniciar pela última mama que não foi completamente esvaziada.

De quanto em quanto tempo amamentar o bebê?

Por não ter reserva de nutrientes no início da vida, o recém-nascido não pode ficar em jejum prolongado. A pediatra diz que os bebês devem ser amamentados em curtos intervalos, em livre demanda nas primeiras semanas. Com a evolução dos meses, uma rotina não muito rígida deve ser estabelecida entre a mãe e o bebê.

Mulheres com bico invertido conseguem amamentar?

Podem sim. Gallacci recomenda que, se a mulher tiver dúvidas sobre o formato do mamilo, converse com o profissional que está acompanhando a gestação para que se tenha o diagnóstico do bico invertido. Dessa forma, é possível preparar as mamas antes mesmo do bebê nascer. 

Caso o parto já tenha acontecido, é importante ter ajuda logo no início para posicionar o bebê de forma em que ele mame em toda região mamilar – fazendo com que o mamilo invertido não seja um fator complicador.

Existem restrições alimentares para alguém que está amamentando?

Segundo o Ministério da Saúde, a principal boa prática para quem está amamentando é comer comida de verdade, ou seja, priorizar alimentos in natura e evitar alimentos industrializados, prontos para consumir. No geral, eles têm muito sódio, gordura e açúcar.

A pediatra ensina também que é importante evitar o consumo excessivo de um único tipo de alimento e procurar diversificar a dieta com o consumo de peixes (duas vezes na semana), leguminosas, frutas secas com alto teor de ômega (a exemplo das castanhas e nozes) etc. 

“Além disso, lactantes devem evitar consumo excessivo de cafeína nesse período e, claro, as bebidas alcoólicas são contraindicadas durante a gestação e o aleitamento, pois podem chegar no bebê pelo leite” completa.

É verdade que a amamentação ajuda na recuperação do corpo?

“O ato de amamentar colabora para redução do volume uterino mais rapidamente devido liberação de ocitocina (hormônio de contração), além de gastar muitas calorias. Tais adaptações fisiológicas colaboram para a rápida recuperação das gestantes”, responde

Agosto dourado: o Mês do Aleitamento Materno

A data foi instituída pela Lei 13.435 de 12 de abril de 2017. A campanha tem como objetivo dar visibilidade e incentivar cada vez mais pessoas a amamentarem seus bebês com leite materno, além de desmistificar estigmas sobre a prática. A cor dourada foi escolhida para simbolizar o padrão ouro de qualidade do leite materno.

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