Telessaúde agora enfrenta o desafio de melhorar a experiência dos usuários

Com tecnologia e regulação avançadas, modelo volta a atenção para as pessoas buscando usabilidade e o desenvolvimento de competências digitais

Em abril, o Anahp ao Vivo – Jornadas Digitais está abordando o tema Inovação e Tecnologia em uma série de encontros promovidos pela Anahp em parceria com a Associação Brasileira CIO Saúde (ABCIS) e a Saúde Digital Brasil (SDB). Na primeira edição, realizada na última quinta-feira (06), os especialistas convidados discutiram o avanço da telessaúde no Brasil e seus impactos no sistema de saúde.

Um consenso entre os participantes foi que o modelo, impulsionado pela pandemia, está amadurecendo rapidamente. “Estamos vendo a expansão e a consolidação da telessaúde com melhoria do desfecho clínico”, afirmou o presidente do Conselho da SDB, Caio Soares.

Giovanni Cerri, presidente do Núcleo de Inovação Tecnológica do HCFMUSP, destacou que o modelo evoluiu rapidamente da teleconsulta para uma ferramenta capaz de combater diversos gargalos do sistema, como controlar a frequência dos atendimentos no Pronto Socorro, melhorar o monitoramento de pacientes crônicos e operação de equipamentos à distância, como no caso da Radiologia. “A telessaúde é a primeira incorporação de tecnologia que não está associada a aumento de custos. Pelo contrário, ela promove a economia”, avaliou.

Carlos Pedrotti, gerente médico no Hospital Israelita Albert Einstein, ressaltou também o volume extraordinário de dados gerados pelo sistema. “Tudo isso oferece um potencial enorme para aumentar a nossa capacidade de análises, seja de qualidade, de aplicação dos recursos ou de construção de políticas públicas, mas ainda precisamos aprimorar a gestão dessa abundância de informações”, pontuou.

Donizete Giamberardino, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), acrescentou que a evolução do modelo também ocorreu na percepção dos médicos. “Muitos profissionais que eram contra, após dois anos de pandemia, estavam usando e pedindo uma regulamentação para facilitar o dia a dia”, contou. Cerri complementou citando os resultados de um projeto do HCFMUSP em conjunto com o governo britânico em que “o NPS dos pacientes é altíssimo, melhor do que o atendimento presencial”. E Pedrotti resumiu que “quem usa aprova”.

Ainda assim, o desafio atual é melhorar a experiência dos usuários, tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde. Pedrotti contou que após testar diversas ferramentas disponíveis no mundo, a conclusão é que é mais difícil utilizar as plataformas de telessaúde do que fazer compras on-line, que exigem cadastro, registro de cartão de crédito e pagamentos. “Precisamos criar interfaces e processos mais simples e intuitivos”, recomendou.

Para o gerente médico, até hoje o desenvolvimento da telessaúde esteve mais focado na tecnologia do que na usabilidade e, por isso, o ganho de escala provocou um déficit de competências digitais nas organizações, que agora buscam integrar profissionais que ainda consideram um estorvo tudo o que está relacionado à tecnologia. “Sempre que se chega a esse ponto, alguém sugere fazer um manual e eu pergunto se foi necessário manual para aprendermos a usar o WhatsApp”, comparou.

Nesse sentido, Giamberardino avaliou que a revisão no ensino está no centro da questão. “Temos que alinhar a matriz curricular aos recursos tecnológicos que temos à disposição e capacitar dentro da universidade”, declarou. E Cerri acrescentou que a telessaúde também pode ser uma aliada nesse objetivo, funcionando como ferramenta facilitadora para compartilhar conhecimento.

“Um dos maiores problemas que enfrentamos na saúde brasileira é a desigualdade na formação profissional. Vimos na pandemia uma variação de mortalidade nas UTIs de até quatro vezes relacionada ao preparo das equipes. E a telessaúde pode combater isso, permitindo que o ensino de qualidade chegue a todos os cantos país”, finalizou.

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Anahp Ao Vivo – Jornadas Digitais

O debate “O avanço da telessaúde no Brasil e seus impactos no sistema de saúde” teve a participação de Carlos Pedrotti, gerente médico no Hospital Israelita Albert Einstein; Donizete Giamberardino, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM); e Giovanni Cerri, presidente do Núcleo de Inovação Tecnológica do HCFMUSP. A moderação foi feita por Caio Soares, presidente do Conselho da SDB.

No próximo dia 13, o tema em discussão será “Como o prontuário digital tem revolucionado a saúde no Brasil”. Inscreva-se para participar.

O “Anahp Ao Vivo – Jornadas Digitais” é uma série de eventos on-line, temáticos e gratuitos, que semanalmente, dentro de um mês, reúne especialistas para debates relevantes para o setor saúde.

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