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HSRC oferece iodoterapia em altas doses para tratamento do câncer de tireoide

Pacientes com câncer diferenciado da tireoide que necessitam de radioiodoterapia em altas doses passam a contar com um importante recurso terapêutico mais próximo de casa. Isso porque o Hospital Santa Rita, em Vitória, passa a oferecer o tratamento com Iodo-131, indicado principalmente após a retirada total da tireoide em casos de maior risco de persistência ou retorno da doença. O Iodo-131 permite destruir restos de tecido tireoidiano e possíveis células tumorais remanescentes, ampliando as chances de controle da enfermidade e fortalecendo a assistência especializada oferecida pela instituição. 

Segundo Daniel Camisão Bortot, doutor em Ciências Médicas e coordenador do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Santa Rita, a iodoterapia com Iodo-131 é um tratamento em que o paciente recebe, por via oral, uma dose de iodo radioativo. “Como as células da tireoide e muitos cânceres diferenciados da tireoide, principalmente papilífero e folicular, captam iodo, o Iodo-131 pode destruir restos de tecido tireoidiano e possíveis células tumorais remanescentes após a cirurgia”, explica.

O tratamento é indicado principalmente após tireoidectomia total em pacientes com maior risco de persistência ou retorno da doença, como tumores maiores, doença fora da tireoide, linfonodos acometidos, doença residual, metástases ou características mais agressivas.

Antes de receber o Iodo-131, Daniel Camisão Bortot ressalta que o paciente pode precisar elevar o TSH, seja suspendendo a levotiroxina por algumas semanas, seja utilizando TSH recombinante, conforme orientação médica. “Também pode ser indicada dieta pobre em iodo por uma a duas semanas, para melhorar a captação do radioiodo pelas células-alvo.”

Após o tratamento, os principais cuidados, de acordo com o doutor, incluem beber bastante líquido, manter higiene rigorosa no banheiro, evitar contato próximo e prolongado com outras pessoas por alguns dias, dormir separado temporariamente, evitar contato próximo com crianças e gestantes, não compartilhar talheres, copos e toalhas, lavar bem as mãos e seguir exatamente o tempo de restrição orientado pela equipe. Esses cuidados reduzem a exposição de familiares e cuidadores à radiação.

Nas doses altas, o paciente emite radiação temporariamente pelo corpo e elimina parte do Iodo-131 pela urina, saliva, suor e fezes. Por isso, segundo o médico do Hospital Santa Rita, é necessário internação em quarto apropriado, o que permite proteger familiares, profissionais e o público até que o nível de radiação esteja seguro para alta. “O isolamento não significa que o paciente esteja ‘contaminado’ de forma permanente. É uma medida temporária de segurança radiológica”, pontua.

Para o coordenador do Serviço de Medicina Nuclear do Hospital Santa Rita, oferecer iodoterapia em altas doses na instituição amplia o cuidado integral ao paciente com câncer de tireoide, permitindo que diagnóstico, cirurgia, estratificação de risco, tratamento com Iodo-131 e seguimento sejam feitos de forma mais coordenada. “Isso evita deslocamentos para outros centros, reduz atrasos no tratamento, aumenta o conforto do paciente e garante acompanhamento por equipe especializada em medicina nuclear, enfermagem, física médica e radioproteção. Para muitos pacientes, representa acesso local a uma etapa essencial do tratamento do câncer diferenciado da tireoide”, conclui.

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