Balanço Anahp mostra recuperação das operadoras, avanço operacional dos hospitais e pontos de atenção para a sustentabilidade da cadeia
Os resultados do primeiro trimestre de 2026 indicam continuidade da recuperação econômico-financeira das operadoras de planos de saúde. A leitura foi apresentada no Anahp Ao Vivo “Os números contam toda a história?”, que analisou dados divulgados pela ANS e indicadores dos hospitais associados à Anahp.
O debate contou com Luiz Feitoza e Adriano Londres, da Arquitetos da Saúde, e mediação de Evelyn Tiburzio, diretora técnica da Anahp.
Em resumo:
- Operadoras seguem em recuperação
Resultado ajustado, sinistralidade menor e VCMH em desaceleração indicam melhora financeira. - Hospitais operam melhor
Ocupação maior e menor permanência média apontam ganho de eficiência assistencial. - Prestadores ainda sentem pressão financeira
EBITDA, prazo médio de recebimento e glosas mantêm impacto sobre caixa, previsibilidade e capacidade de investimento.
Confira os principais números:
R$ 7,59 bilhões
Resultado ajustado das operadoras
Sem o efeito não recorrente de uma provisão extraordinária, o resultado líquido das operadoras chegaria a cerca de R$ 7,59 bilhões.
Na prática
A recuperação das operadoras parece mais forte do que o número consolidado sugere.
O que observar
Operadoras financeiramente saudáveis contribuem para a estabilidade da cadeia. O ponto de atenção é saber em que ritmo essa recomposição será percebida pelos prestadores.
80,8%
Sinistralidade menor
A sinistralidade caiu para 80,8% no primeiro trimestre.
Na prática
A relação entre receitas e despesas assistenciais está menos pressionada para as operadoras.
O que observar
A melhora ajuda a explicar os resultados positivos do setor, mas precisa ser lida junto com os indicadores dos hospitais, que ainda mostram pressão sobre margem e caixa.
5%
Custos em desaceleração
A variação dos custos médico-hospitalares desacelerou para 5,02%.
Na prática
Os custos assistenciais seguem em alta, mas em ritmo menor.
O que observar
A desaceleração ajuda a explicar a queda da sinistralidade. Ainda assim, reajustes, contratos e impacto para contratantes seguem como pontos sensíveis.
76,8%
Ocupação hospitalar maior
A taxa de ocupação dos hospitais associados subiu para 76,8%.
Na prática
O número indica melhor uso da capacidade instalada.
O que observar
Ocupação maior pode ajudar a diluir custos fixos, mas ainda não tem sido suficiente para recompor os indicadores financeiros dos hospitais.
3,72 dias
Menor permanência da série
A permanência média caiu para 3,72 dias, o menor nível da série histórica acompanhada pela Anahp.
Na prática
O indicador aponta ganho de eficiência na gestão de leitos, no fluxo de internação e na organização das altas.
O que observar
A redução da permanência média precisa caminhar junto com segurança, qualidade assistencial e bons desfechos para os pacientes.
9,4%
Eficiência ainda sem alívio financeiro
O EBITDA apurado preliminarmente, com base nos hospitais que já haviam informado os dados no sistema, ficou em 9,4%.
Na prática
Hospitais operam melhor, mas ainda não conseguem transformar essa eficiência em alívio financeiro proporcional.
O que observar
A pressão sobre o EBITDA afeta investimento, atualização tecnológica, expansão de serviços e preparação para novas demandas assistenciais.
74 dias
Recebimento ainda longo
O prazo médio de recebimento permaneceu próximo de 74 dias.
Na prática
Os hospitais continuam financiando parte relevante da operação antes de receber pelos serviços já prestados.
O que observar
Prazos elevados pressionam capital de giro, fornecedores, planejamento financeiro e previsibilidade da operação.
1,5% a 1,6%
Glosa final estável
A glosa final permanece entre 1,5% e 1,6%.
Na prática
O percentual final é baixo, mas a glosa inicial ainda alcança patamares elevados e parte desses valores é revertida apenas ao longo das negociações.
O que observar
Mesmo quando a glosa é revertida, há impacto sobre caixa, previsibilidade e relação contratual entre operadoras e prestadores.
Dois dados para completar a leitura do trimestre
17% de Peona nas cinco maiores operadoras
A Peona (Provisão Para Eventos Ocorridos e Não Avisados) chegou a cerca de 17% do custo assistencial per capita entre as cinco maiores operadoras. O indicador merece atenção porque se relaciona a eventos ocorridos e ainda não avisados.
Sua evolução deve ser acompanhada junto com crescimento de beneficiários, fluxo de caixa, sinistralidade e resultado das operadoras.
59% em fee-for-service
O fee-for-service permanece como principal formato de pagamento das contas médicas, próximo de 59%.
A discussão sobre modelos de remuneração segue aberta. O ponto central é avaliar se a forma de pagamento melhora o cuidado, reduz atritos, aumenta previsibilidade e gera resultados concretos para pacientes, operadoras e prestadores.
Para ficar no radar
Crescimento de beneficiários
Pode influenciar receita, sinistralidade, reservas e resultado.
Prazo de recebimento e glosas
Continuam afetando caixa e previsibilidade dos hospitais.
EBITDA hospitalar
Será um indicador importante para medir se a eficiência operacional começa a chegar à margem.
Modelos de remuneração
Precisam ser avaliados pelo impacto real sobre cuidado, previsibilidade e sustentabilidade da cadeia.