Com escolhas seguras e alguns cuidados simples, dá para equilibrar diversão e bem-estar, sem transformar as férias em uma planilha de regras.

Viajar é uma ótima forma de relaxar a mente, criar boas memórias e viver novas experiências. Mas também é quando comer fora de hora, beber menos água, exagerar no sol e dormir pouco se tornam rotina e podem virar problema.
Com a orientação de João Pedro Mendonça Bidart, médico-chefe da emergência do Hospital Moinhos de Vento, reunimos algumas dicas para você curtir a viagem com mais saúde, da praia ao avião, da diversão aos imprevistos.
Hidratação e boa alimentação devem ser parte do roteiro
Segundo Bidart, em destinos quentes, como as praias, a hidratação é prioridade absoluta. É fundamental ingerir bastante líquido — como água mineral, água de coco e sucos naturais — e ter cautela com bebidas preparadas com água ou gelo de procedência desconhecida.
O cuidado com a alimentação merece atenção redobrada, uma vez que o calor facilita a proliferação de bactérias e aumenta o risco de intoxicação alimentar. Priorize alimentos frescos e de origem confiável e evite comidas mal armazenadas ou expostas ao sol.
Além dessas orientações, a American Heart Association também aconselha:
- para os deslocamentos, leve frutas e lanches nutritivos de casa ou procure opções saudáveis em aeroportos e estradas;
- carregue sempre uma garrafa — e a abasteça com água de procedência conhecida ao longo do dia — para manter a hidratação;
- explore mercados locais e faça da alimentação uma parte da experiência da viagem; se o frigobar como aliado, abastecendo-o com alimentos frescos;
- nos restaurantes, cuidado com os excessos. Para evitá-los, considere dividir pratos com outras pessoas ou optar por saladas e entradas;
- equilibre o consumo de álcool com água e descanso;
- busque moderação, não perfeição. Aproveite a viagem com atenção aos sinais do corpo.
Atividade física: o corpo não precisa entrar em férias
Não é necessário manter a rotina intensa da academia durante as férias. Ainda assim, deixar o corpo sem atividade não é o ideal. A recomendação médica é simples: “Manter exercícios leves, por cerca de 30 minutos, de três a cinco vezes por semana, já é suficiente”, indica Bidart.
Alongamentos pela manhã e passeios ao ar livre, com deslocamentos a pé ou de bicicleta, ajudam a manter o corpo ativo, sem exageros. Dê preferência para a primeira hora da manhã, quando o calor é menos intenso.
Além disso:
- encare o movimento como parte da experiência, não como obrigação. Caminhar, explorar o destino e se movimentar já contam como atividade física
- leve itens simples de treino, como faixas elásticas ou corda, que cabem na mala e permitem exercícios rápidos;
- aposte em exercícios com o peso do corpo, que não exigem academia nem equipamentos;
- defina um horário possível, mesmo que curto;
- evite treinos muito intensos, especialmente com cansaço e jet lag;
- procure ambientes seguros para se exercitar. Na dúvida, prefira a academia ou o quarto do hotel, ou peça indicações de parques;
- não siga a rotina de casa — em viagem, adaptação é parte do cuidado.
Vai viajar de avião? Alguns cuidados fazem a diferença lá em cima
Voos longos exigem cuidados extras, especialmente com a circulação sanguínea e a ingestão de líquidos. Segundo o médico, o ideal é beber cerca de 150 ml de água por hora de voo, dando preferência a água mineral ou suco de frutas. Bebidas alcoólicas e refrigerantes devem ser evitados em excesso.
O uso de meias de compressão é recomendado em voos acima de seis horas, principalmente para gestantes, idosos e pessoas com histórico de trombose. Já quem tem feridas nas pernas, inchaço ou perda de sensibilidade deve evitar o uso desse item e conversar com um médico antes de viajar.
Como agir em caso de emergências?
Mesmo com planejamento, imprevistos acontecem. Saber o que fazer pode evitar complicações.
Queimaduras solares
Saia imediatamente do sol, lave a região com água fria e use compressas frias. Não aplique gelo diretamente nem estoure bolhas. Procure atendimento médico se a queimadura for extensa ou se houver sinais de desidratação, como confusão mental.
Contato com água-viva
Se possível, lave a área com vinagre. Na falta, utilize a própria água do mar — nunca água doce. Remova os tentáculos com cuidado, usando luvas, uma pinça ou algum objeto rígido disponível. Procure atendimento médico se a dor for intensa.
Intoxicação alimentar
Caprichar na hidratação é fundamental, com água de procedência conhecida, soro caseiro, água de coco e afins. Prefira alimentos leves, como arroz, frango, sopas e canjas. Se houver vômitos persistentes, episódios de diarreia ou dificuldade para se hidratar, é importante buscar atendimento médico.
Pequenos traumas, como quedas com pancadas leves
Repouso, aplicação de gelo no local e analgésicos costumam aliviar os sintomas. Dor intensa ou dificuldade para movimentar a região são sinais de alerta e exigem avaliação médica. Dependendo do tipo de trauma, pode ser necessário realizar exames de imagem para descartar fraturas ou luxações. Em casos de trauma na cabeça, a avaliação é fundamental para afastar complicações.
Quais itens levar na farmacinha de viagem?
Montar uma farmacinha básica evita dores de cabeça longe de casa. O ideal é incluir:
- analgésicos e anti-inflamatórios;
- medicamentos para enjoo;
- protetor solar e repelente;
- kit de primeiros socorros (luvas, antisséptico, esparadrapo);
- medicamentos de uso contínuo, com receita.
Quando procurar ajuda médica durante a viagem?
Buscar assistência cedo pode evitar complicações. Bidart traz alguns sinais de alerta:
- dor no peito;
- falta de ar;
- febre alta e persistente;
- vômitos e diarreias persistentes;
- perda de força em um dos lados do corpo;
- dificuldade para falar ou enxergar.
A melhor companheira de viagem é a sua saúde
Viajar não é sinônimo de descuido. Com atenção aos sinais do corpo, escolhas certas e um pouco de planejamento, dá para aproveitar cada momento com mais tranquilidade e bem-estar.
Porque férias boas são aquelas que rendem histórias — não problemas de saúde.

