Andropausa existe? Alterações hormonais masculinas podem afetar saúde e humor

Termo é usado coloquialmente para descrever a queda de testosterona em homens, condição que pode começar por volta dos 40 e seguir até os 70 anos 

A andropausa, conhecida como a “menopausa masculina”, é um termo usado para descrever um conjunto de alterações hormonais relacionadas à idade nos homens, semelhantes às alterações que as mulheres experimentam durante a menopausa. É caracterizada por um declínio gradual nos níveis de testosterona, e pode começar por volta dos 40 anos e seguir até os 70.

Os sintomas variam de homem para homem, mas podem incluir fadiga, diminuição de libido, disfunção erétil, perda de massa muscular, aumento de peso, alteração do humor, dificuldade de concentração e distúrbios do sono.

O termo, embora seja usado corriqueiramente, não é universalmente aceito na comunidade médica. Muitos profissionais preferem adotar nomes mais específicos para descrever a situação, como “hipogonadismo de início tardio” ou “deficiência de testosterona relacionada à idade”.

Também não há um protocolo oficial de diagnóstico médico para a andropausa que seja reconhecido pelas principais organizações de saúde, como a OMS (Organização Mundial da Saúde) ou a AMA (Associação Médica Americana), segundo Gustavo Guimarães, urologista e cirurgião oncológico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Sintomas se confundem

A incidência de andropausa ou declínio de testosterona é difícil de se identificar, já que os sintomas se confundem com outros quadros que também estão ligados à idade, como estresse, diabetes, obesidade e outras condições médicas.

A queda de testosterona pode estar associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, por exemplo. “Acredita-se que a testosterona desempenha um papel importante na regulação do metabolismo da glicose”, afirma o urologista. Assim, a queda de testosterona pode gerar resistência à insulina, uma condição que pode elevar os níveis de glicose no sangue.

No caso da obesidade, Guimarães diz que estudos mostram que homens obesos têm níveis mais baixos de testosterona do que indivíduos com peso normal, já que a doença pode causar inflamação no corpo, o que prejudica a produção do hormônio.

Reposição hormonal

Em alguns casos, pode ser indicada a TRH (Terapia de Reposição Hormonal), com o consumo de testosterona sintética. Isso melhoraria os sintomas e a qualidade de vida do paciente. 

Também podem ser recomendadas outras abordagens, como a mudança no estilo de vida (exercícios regulares e uma dieta saudável); medicamentos para tratar sintomas específicos, como a disfunção erétil; e apoio psicológico para lidar com o estresse.

No entanto, a reposição de testosterona é objeto de pesquisas e discussões contínuas e não é isenta de riscos e efeitos colaterais.  Guimarães recomenda sempre a orientação e supervisão de um profissional de saúde qualificado. 

Entre os riscos potenciais, em especial em doses elevadas ou não controladas, estão o aumento de eventos cardiovasculares; policitemia (aumento de todas as células sanguíneas, especialmente dos glóbulos vermelhos); apneia do sono; mudanças de humor e psicológicas (irritabilidade ou distúrbios de humor); reações cutâneas (como acne e alergias em áreas de aplicação); queda de cabelo e até mesmo lesões no fígado.

“Em especial, existe a preocupação de que a TRT possa promover o crescimento de um câncer de próstata existente ou aumentar o risco de desenvolvê-lo. Portanto, geralmente não é recomendado para homens com histórico dessa doença. O exame regular da próstata antes e depois de iniciar a aplicação é essencial para quem faz TRT”, afirma o urologista.

Vida saudável pode retardar queda de testosterona

Não existe uma prevenção definitiva para a andropausa, segundo Guimarães, porque ela é uma condição natural que ocorre devido ao envelhecimento. 

Embora não haja uma prevenção definitiva para a andropausa devido ao seu caráter natural associado ao envelhecimento, adotar medidas como manter um estilo de vida saudável com alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, além de controle do estresse e de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade.

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