O Ministério da Saúde publicou a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da trombocitopenia imune primária, documento que atualiza as recomendações nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O protocolo considerou o Relatório de Recomendação elaborado com o apoio metodológico da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, no âmbito do Proadi-SUS.
A atualização fortalece a organização da assistência às doenças hematológicas raras e incorpora evidências científicas mais recentes para qualificar o cuidado em todo o país. O título do documento foi alterado, passando de púrpura trombocitopênica idiopática para trombocitopenia imune primária, com o objetivo de descrever melhor a condição.
O novo PCDT incorpora evidências relacionadas a novas terapias para pacientes com doença refratária, crônica ou dependente de corticosteroides, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no SUS. Entre as tecnologias contempladas estão o rituximabe e o romiplostim para crianças e adolescentes, conforme a Portaria SECTICS/MS nº 21/2025, e o rituximabe e o romiplostim para adultos com a condição primária refratária ou dependente de corticosteroide, conforme a Portaria SECTICS/MS nº 63/2024.
Ao padronizar critérios clínicos e terapêuticos, o protocolo contribui para qualificar a tomada de decisão assistencial, reduzir variações no cuidado e ampliar o acesso a condutas baseadas em evidências no SUS. A medida também ajuda a organizar a linha de cuidado de pacientes que, muitas vezes, exigem acompanhamento especializado prolongado e uso sequencial de diferentes estratégias terapêuticas.
A trombocitopenia imune primária é uma doença autoimune caracterizada pela destruição acelerada das plaquetas e pela redução de sua produção, o que leva à diminuição da contagem plaquetária1. A condição pode provocar manifestações hemorrágicas que variam de sangramentos cutâneos leves a complicações graves e potencialmente fatais1.
A doença pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente em crianças. Segundo o PCDT, a incidência estimada varia de 1,9 a 6,4 casos novos por 100 mil crianças por ano e de 1,6 a 6,1 casos novos por 100 mil adultos por ano1. Embora seja considerada rara, a condição pode evoluir para formas persistentes ou crônicas, reforçando a importância da padronização do cuidado para reduzir complicações, evitar tratamentos inadequados e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O Relatório de Recomendação na íntegra pode ser acessado no portal da Conitec pelo link: Link
Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz