Uma paciente de 71 anos, diagnosticada com câncer de pâncreas avançado, foi submetida, no Hospital Moinhos de Vento, à gastroenteroanastomose guiada por ecoendoscopia — técnica realizada pela primeira vez no Rio Grande do Sul. O procedimento inovador foi indicado para tratar uma obstrução grave da saída gástrica causada pela neoplasia, condição que provocava vômitos frequentes, desidratação e impossibilitava a alimentação por via oral.
Indicada principalmente para casos de obstrução da saída gástrica, especialmente de origem tumoral, a técnica possibilita a criação de uma comunicação interna entre o estômago e o intestino delgado, restabelecendo o trânsito alimentar. Diante da impossibilidade clínica de realização de cirurgia convencional, a equipe da Unidade de Endoscopia optou pela abordagem minimamente invasiva.
Segundo o gastroenterologista Bruno Hirsch, o procedimento se destaca como alternativa eficaz no contexto paliativo, com foco no alívio dos sintomas e na melhora da qualidade de vida. “Em geral, é indicado para pacientes com neoplasias pancreáticas, gástricas ou duodenais avançadas, que apresentam náuseas, vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar e desnutrição. É especialmente útil em pacientes com alto risco cirúrgico ou sem condições clínicas para cirurgia convencional, por ser menos invasivo, realizado exclusivamente por via endoscópica, sem incisões, com menor dor e recuperação mais rápida”, explica.
Não há restrição etária absoluta para a realização do procedimento. A indicação é definida a partir de avaliação clínica global, do estado funcional do paciente e da decisão da equipe multidisciplinar. Em pacientes idosos ou mais frágeis, a técnica representa alternativa relevante para evitar intervenções cirúrgicas de maior porte.
Diferentemente da abordagem tradicional, a gastroenteroanastomose guiada por ecoendoscopia é realizada sem incisões abdominais, com criação de anastomose interna guiada por ultrassom. Entre os principais benefícios estão o reinício precoce da alimentação, menor tempo de internação, redução da dor, menor risco de complicações e impacto positivo na qualidade de vida.
No primeiro caso realizado no Estado, a paciente iniciou dieta líquida no mesmo dia do procedimento, evoluiu para dieta sólida no segundo dia e recebeu alta hospitalar com excelente evolução clínica. “O pós-procedimento tende a ser mais rápido, com recuperação precoce e alívio imediato dos sintomas. Embora não substitua integralmente a cirurgia, representa alternativa segura e eficaz, especialmente em pacientes sem condições cirúrgicas ou em cuidados paliativos”, ressalta Hirsch.
Técnica consolidada internacionalmente
De acordo com o especialista, a técnica vem sendo utilizada e aprimorada no exterior há cerca de oito a dez anos, com respaldo em diretrizes internacionais. Apesar das evidências consistentes, permanece restrita a centros de alta complexidade, que dispõem de equipe especializada e tecnologia avançada.
No Hospital Moinhos de Vento, o procedimento exigiu a utilização de ecoendoscópio terapêutico, sistemas avançados de imagem, fluoroscopia e próteses metálicas especiais do tipo LAMS (lumen-apposing metal stent), além da atuação integrada das equipes de Gastroenterologia, Endoscopia, Anestesiologia, Enfermagem e Suporte Hospitalar.
Para o coordenador da Unidade de Endoscopia, Leonardo Wagner Grillo, a realização da primeira gastrojejunostomia guiada por ecoendoscopia no Rio Grande do Sul representa um marco regional em endoscopia terapêutica avançada. “A incorporação dessa técnica posiciona o serviço em elevado patamar de inovação e alinhamento com centros internacionais de referência. Reunimos tecnologia de ponta, equipe altamente especializada e estrutura completa para oferecer procedimentos endoscópicos avançados com segurança, precisão e impacto direto na qualidade de vida dos pacientes”, afirma.
Fonte: Hospital Moinhos de Vento