Procedimento utiliza vapor d’água para reduzir sintomas urinários causados pela hiperplasia prostática benigna
O Hospital São Camilo passou a realizar o Rezūm, técnica minimamente invasiva indicada para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), condição comum entre homens acima dos 50 anos e uma das principais causas de alterações urinárias no envelhecimento. O método utiliza vapor d’água aplicado diretamente no tecido prostático para reduzir o aumento da próstata e aliviar sintomas urinários associados à doença.
A hiperplasia prostática benigna acontece quando a próstata aumenta de tamanho de forma não cancerígena e passa a comprimir a uretra, dificultando a passagem da urina. Estima-se que a condição afete cerca de metade dos homens acima dos 50 anos e se torne ainda mais frequente com o avanço da idade. Apesar de não estar relacionada ao câncer de próstata, a HPB pode causar impactos importantes na rotina, no sono e na qualidade de vida.
Entre os sintomas mais comuns estão jato urinário enfraquecido, dificuldade para iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, aumento da frequência urinária e necessidade de acordar durante a noite para urinar. Em casos mais avançados, a condição também pode favorecer infecções urinárias e alterações na função da bexiga.
Tradicionalmente, o tratamento da HPB envolve o uso de medicamentos para controle dos sintomas e, quando necessário, cirurgias para desobstrução da próstata. Embora eficazes, alguns procedimentos cirúrgicos convencionais podem exigir maior tempo de recuperação e internação.
Nesse contexto, técnicas minimamente invasivas vêm ganhando espaço nos últimos anos por oferecerem alternativas com menor impacto pós-operatório. O Rezūm utiliza a aplicação controlada de vapor d’água no tecido prostático aumentado. A energia térmica liberada provoca a redução gradual do volume da próstata, desobstruindo o canal urinário e melhorando os sintomas ao longo das semanas seguintes à realização da técnica.
“O Rezūm representa mais uma alternativa terapêutica para pacientes com hiperplasia prostática benigna, principalmente para homens com indicação de uma abordagem menos invasiva”, explica o urologista Dr. Lucas Antônio Pereira do Nascimento, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
A técnica é realizada por via endoscópica, sem cortes externos, e costuma ter curta duração. Em muitos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia, o que reduz o tempo de internação e favorece uma recuperação mais rápida em comparação às cirurgias tradicionais.
Segundo o urologista Dr. Luiz Fernando Rocha de Abreu, a escolha do tratamento depende das características clínicas de cada paciente, do tamanho da próstata e da intensidade dos sintomas. “Apesar de ser um tratamento que vem ganhando espaço no Brasil nos últimos anos, é fundamental que o paciente seja avaliado por um especialista treinado e certificado na técnica, garantindo indicação adequada, segurança e melhores resultados”, afirma.
A adoção de métodos menos invasivos acompanha uma tendência mundial da urologia de buscar tratamentos mais individualizados, com foco na recuperação mais rápida e na melhora da qualidade de vida dos pacientes. No Brasil, o Rezūm ganhou visibilidade nos últimos anos e vem ampliando sua presença em centros especializados no tratamento de doenças prostáticas.