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Hospital Santa Rita de Cássia adquire versão mais completa de microscópio neurocirúrgico e faz os primeiros procedimentos

Localizada em Vitória (ES), a instituição já realizou cirurgias para retirar tumor do nervo periférico e tumor cerebral com o equipamento

No dia 25 de fevereiro, foram realizadas as primeiras cirurgias do Espírito Santo para retirada de tumor do nervo periférico e tumor cerebral utilizando o microscópio neurocirúrgico Zeiss Kinevo 900, com sistema de visualização robótica – Pacote Premium. O equipamento, considerado o melhor, mais completo e mais moderno do mundo, é o primeiro adquirido por um hospital brasileiro com esta configuração.

A aquisição foi feita pelo Hospital Santa Rita de Cássia, localizado em Vitória (ES), no final do ano passado, com o microscópio entrando em operação na data de ontem, com a equipe de neurocirurgia realizando o primeiro procedimento em um paciente com 52 anos de idade (tumor de nervo periférico) e o segundo em uma paciente de 82 anos para retirada de tumor cerebral. Ambos passam bem. O mais jovem está com previsão e alta para as próximas 24 horas e a mais idosa deverá ter alta dentro de três a cinco dias.

Tumor do nervo periférico e tumor cerebral

O neurocirurgião da equipe do Santa Rita, Dr. Tiago Madeira, explica que o tumor do nervo periférico, também conhecido como tumor da bainha do nervo periférico, é raro, geralmente benigno, com crescimento lento e apresentando sintomas como dor, alterações na sensibilidade e crescimento tumoral palpável.

O sistema nervoso periférico se refere às partes do sistema nervoso que estão fora do sistema nervoso central, isto é, fora do cérebro e da medula espinhal. Por isso, o sistema nervoso periférico inclui os nervos que conectam a cabeça, a face, os olhos, o nariz, os músculos e os ouvidos ao cérebro (nervos cranianos). No caso operado ontem, o tumor era benigno, estava localizado na região cervical do lado esquerdo e foi retirado com sucesso.

No que diz respeito ao tumor cerebral, ele era maligno e estava localizado na região frontal, do lado direito, sendo um procedimento mais delicado e complexo, mas também realizado com sucesso.

O médico explica que o sistema de visualização e movimentação robótica do microscópio tornou os procedimentos mais ágeis pela automação das diferentes posições do aparelho durante o procedimento. “No sistema tradicional, o cirurgião precisa tirar as mãos do campo cirúrgico para reposicionar o microscópio por diversas vezes durante o procedimento, a medida em que necessita visualizar as estruturas por diferentes angulações. No Zeiss Kinevo 900 esse reposicionamento pode ser feito automaticamente”, informa o médico.

O neurocirurgião Alexandre Ottoni, também da equipe do Hospital Santa Rita, acrescenta que a cirurgia também é mais segura, já que o filtro Blue 400 existente no microscópio torna o procedimento mais preciso e seguro. “Antes do procedimento foi administrado ao paciente uma substância chamada 5 ALA (Ácido 5- Aminolevulínico). As células tumorais têm grande avidez por essa substância. Assim, ao captar essa substância, as células tumorais adquirem uma coloração avermelhada quando visualizadas por um filtro específico do Zeiss Kenevo (filtro Bule 400). Ao término da ressecção do tumor, o filtro Blue 400 é ativado e, caso ainda exista células tumorais residuais, elas são facilmente visualizadas e o resíduo de tumor retirado. Isso faz com que tenhamos a certeza de que todo o tumor foi removido”, explica Ottoni.

Ele esclarece que o filtro Blue 400 é muito importante porque essa distinção entre o que é resíduo tumoral e o que é cérebro normal pode ser impossível de identificar a olho humano, mesmo com o auxílio da magnificação de imagem proporcionada pela lente tradicional do microscópio.

Equipes que participaram das cirurgias

Neurocirurgiões

Dr. Alexandre Ottoni – neurocirurgião do Hospital Santa Rita

Dr. Tiago Madeira – neurocirurgião do Hospital Santa Rita

Dr. Sergio Ottoni – neurocirurgião do Hospital Santa Rita
Dr. Tiago Lyrio – neurocirurgião do Hospital Santa Rita

Anestesiologistas:

Drª. Grizella Januário de Andrade – anestesiologista do Hospital Santa Rita

Dr. Rafael Ambrozim de Araújo – anestesiologista do Hospital Santa Rita

Dr. Bruno Pimentel de Oliveira Carvalho – anestesiologista do Hospital Santa Rita

Dr. Rodrigo Fardim Agueiras – anestesiologista do Hospital Santa Rita

Os diferenciais do microscópio

Tecnologia KINEVO 900 – Sistema de visualização robótica – O sistema de visualização robótica do microscópio KINEVO 900 permite que o cirurgião dê comandos ao aparelho para que determinadas posições sejam memorizadas pelo sistema. Isso permite que após movimentar o aparelho durante o procedimento, o sistema robótico possibilite que o microscópio retorne exatamente para a posição memorizada (função Memory position).

O aparelho conta, ainda, com um comando de movimentação bucal, controle de funções por pedal (Foot Control) e o sistema Point Lock, que permitem ao cirurgião mirar uma determinada estrutura com um laser e o microscópio mostrar automaticamente o alvo por diferentes ângulos de visão. “Essas funções apresentam uma enorme vantagem em relação ao outros microscópios que usualmente possuem controle de foco e angulação por comando manual, exigindo que o cirurgião tenha que tirar uma das mãos do campo operatório sempre que o foco óptico é perdido e/ou o microscópio precisa ser reposicionado. Em um procedimento neurocirúrgico, que não raramente dura 12 horas, essa automação de posição faz uma enorme diferença na dinâmica e duração da cirurgia. Um procedimento microneurocirúrgico prolongado pode ser extremamente desgastante do ponto de vista físico e mental, sendo de fundamental importância posicionamentos automatizados do aparelho, como o sistema do KINEVO 900”, explica o neurocirurgião Tiago Madeira.

Sistema de visualização do campo cirúrgico em 3D (Exoscópio) – O Zeiss KINEVO 900 permite operar com visualização tridimensional (visão exoscópica). Nesse modo de visualização, os cirurgiões colocam óculos especiais que os possibilitam visualizar as estruturas em uma ampla tela 3D, com enorme detalhamento anatômico das estruturas, garantindo maior segurança nas manobras cirúrgicas, acrescenta o neurocirurgião Alexandre Ottoni, também integrante da equipe do Hospital Santa Rita de Cássia.

BLUE 400 – Esse sistema é fundamental em cirurgia para ressecção de tumores cerebrais. Frequentemente, informa Alexandre Ottoni, tumores infiltram o tecido cerebral, sendo não raramente impossível fazer uma distinção precisa entre o que é tumor e o que é o tecido cerebral normal. “Esse é o motivo pelo qual muitas vezes o cirurgião julga que fez uma ressecção completa do tumor e a Ressonância Magnética pós operatória mostra uma lesão residual. Esse fato tem impacto direto na sobrevida do paciente, já que em última análise, o resquício tumoral pode determinar a necessidade de realização de uma nova cirurgia, realização de radioterapia adicional e/ou reduzir a expectativa de vida de um paciente”, explica o médico.

Com o recurso BLUE 400 do Zeiss KINEVO 900, uma substância é injetada em uma veia do paciente e as células tumorais captam essa substância, mas o tecido cerebral normal não, permitindo uma perfeita distinção dos limites do tumor. Nesse caso, é possível realizar a chamada supra ressecção tumoral.

INFRARED 800 (Infravermelho 800) – Esse outro recurso do Zeiss KINEVO 900 é utilizado para cirurgias neurovasculares, como no tratamento microcirúrgico dos aneurismas cerebrais. De acordo com os neurocirurgiões, uma substância que contrasta os vasos é injetada em uma veia do paciente e o sistema Infravermelho do Zeiss KINEVO 900 é capaz de mapear esses vasos. “Quando clipamos um aneurisma cerebral, um dos principais riscos é a inclusão inadvertida no clipe de vasos sanguíneos que irrigam o cérebro. Nesse caso, o paciente poderá sofrer uma isquemia cerebral pelo próprio procedimento cirúrgico, o que pode determinar uma grave sequela neurológica. “O sistema Infravermelho 800 permite que façamos uma inspeção vascular após a clipagem, garantindo que nenhuma artéria do cérebro foi fechada inadvertidamente. Caso o problema seja detectado, o clipe pode ser reposicionado, evitando sequelas neurológicas”, informa o neurocirurgião Tiago Madeira.

QEVO – O dispositivo QEVO, acoplado ao sistema Zeiss KINEVO 900, permite uma micro inspeção endoscópica. “Muitas vezes precisamos visualizar estruturas cujo ângulo de visão do microscópio não atinge. O QEVO permite ao cirurgião uma ampla visão em 100 graus de detalhes anatômicos, cuja visualização seria impossível sem este instrumento. O QEVO traz segurança adicional tanto para neurocirurgias vasculares quanto para as ressecções de tumores, cirurgias de coluna, dentre outras”, acrescenta o neurocirurgião Alexandre Ottoni.

“Em intervenções no cérebro, pequenos detalhes podem fazer a diferença entre um resultado excepcional e a uma sequela neurológica definitiva. O sistema Zeiss KINEVO 900 traz a segurança que o neurocirurgião necessita para reduzir significativamente o risco de complicações decorrentes das intervenções neurocirúrgicas” relata o neurocirurgião Tiago Madeira.

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