Com aumento expressivo de diagnósticos no continente e maior circulação internacional prevista devido à Copa do Mundo, especialista reforça a importância da imunização
O avanço dos casos de sarampo nas Américas reacendeu um alerta sanitário internacional. Em um momento em que o continente se prepara para receber grandes fluxos de turistas, devido à Copa do Mundo que será sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, o aumento de circulação de pessoas e a queda na cobertura vacinal cria um cenário propício para a reintrodução de doenças que já haviam sido controladas há alguns anos.
Dados recentes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que o número de casos de sarampo no continente saltou de 446 para quase 15 mil registros em 2025, com dezenas de mortes – um crescimento superior a 30 vezes em relação ao ano anterior. Já em 2026, a comparação mostra crescimento ainda maior. Em janeiro, dados parciais da Opas apontam 1.031 casos, número quase 45 vezes superior aos 23 do mesmo período de 2025. Tanto em 2025 quanto em 2026, os países que sediarão a Copa do Mundo figuram entre os mais afetados, concentrando uma parcela significativa das notificações.
No Brasil, embora o país tenha recuperado o status de área livre da doença, o cenário exige vigilância constante. Em 2025, foram confirmados 38 casos, e em 2026 já há registros, em sua maioria associados a viagens internacionais e à ausência de vacinação. “O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem. Basta uma pessoa infectada em um ambiente com baixa cobertura vacinal para gerar surtos rapidamente”, alerta o infectologista do Hospital Moinhos de Vento, Paulo Gewehr. “Eventos internacionais aumentam esse risco porque intensificam a circulação global do vírus através de viajantes doentes e não vacinados”, complementa.
Quem deve se proteger
A principal estratégia de controle segue sendo a vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, a imunização com duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) é altamente eficaz e essencial para interromper a transmissão. No Brasil, a recomendação é direcionada da seguinte forma:
● Crianças: duas doses (aos 12 e 15 meses)
● Adultos até 29 anos: duas doses comprovadas
● Adultos de 30 a 59 anos: pelo menos uma dose, sendo recomendado duas doses
● Idosos que não histórico de doença ou vacinação prévia: 01 dose
● Profissionais de saúde e viajantes: esquema completo, com atenção redobrada
Sintomas e sinais de alerta
O sarampo é uma doença viral altamente transmissível por via aérea e pode evoluir com complicações graves, especialmente em crianças pequenas. Os principais sintomas incluem febre alta, tosse persistente, coriza e conjuntivite, além de manchas vermelhas pelo corpo, que começam no rosto e se espalham.
A orientação das autoridades de saúde é que, ao apresentar sintomas compatíveis, especialmente após viagem internacional ou contato com casos suspeitos, é fundamental procurar atendimento médico imediato e evitar circulação. “O diagnóstico precoce permite isolar o caso e proteger outras pessoas. Isso é crucial para evitar surtos”, afirma Gewehr.
Um alerta em ano de grandes eventos
O aumento expressivo de casos nas Américas ocorre em um contexto de mobilidade global crescente. Para o infectologista, a realização de eventos de massa, como a Copa do Mundo, reforça a necessidade de estratégias preventivas. “A vacina não é apenas proteção individual, é uma responsabilidade coletiva. Em um cenário de viagens internacionais intensas, estar vacinado é a principal barreira contra a reintrodução do sarampo”, conclui o médico.
Fonte: Hospital Moinhos de Vento