Com sintomas silenciosos, as arritmias cardíacas podem acometer uma a cada quatro pessoas ao longo da vida, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). Estima-se ainda que cerca de 20 milhões de brasileiros convivem com essa condição, mas uma nova tecnologia promete ajudar os pacientes com arritmias do tipo ventricular que não respondem ao tratamento com medicamentos e necessitam de ablação, um procedimento que destrói ou remove o tecido responsável pela anormalidade dos batimentos. Empregada pela primeira vez no Brasil no Hospital e Maternidade Sepaco, em São Paulo, a ablação com Farapoint usa energia elétrica no lugar de radiofrequência, trazendo menos complicações aos pacientes.
O procedimento inédito, realizado em junho, foi conduzido pelo Dr. Bruno dos Santos Sousa, médico cardiologista especializado em eletrofisiologia invasiva e consolida a posição do Hospital Sepaco como referência em cardiologia e incorporação de novas tecnologias.
“As arritmias ventriculares fazem parte de um subtipo mais raro, que pode levar ao desenvolvimento de insuficiência cardíaca, palpitações, desmaios e até óbito. Nem todos os casos precisam de tratamento, mas os que precisam podem exigir uma ablação”, diz o Dr. Bruno dos Santos, explicando que ainda há outros dois tipos de arritmia, a de frequência cardíaca mais baixa,conhecida como bradiarritmia, e a de forma acelerada, a taquiarritmia.
De acordo com o especialista, a ablação com Farepoint apresenta uma série de vantagens em relação ao procedimento tradicional, como menor tempo de manutenção do cateter no tecido cardíaco e menos complicações.
“A ablação por radiofrequência envolve a manutenção do catéter no foco arritmogênico por três a quatro minutos para que ele seja destruído. Já com a tecnologia Farapoint, o tempo é de apenas dois segundos e meio. Isso torna a ablação mais rápida e menos dolorosa para o paciente, pois ela não tem necessidade de elevar a temperatura, como a por radiofrequência, irritando o coração. A recuperação também é mais rápida”, diz o médico.
O primeiro paciente a receber o tratamento foi um homem de 74 anos que apresentava arritmia ventricular frequente, de alta densidade e sintomática, sem apresentar resposta ao tratamento tradicional. A intervenção durou cerca de uma hora e 20 minutos, sem intercorrências, e o paciente não relatou dores após o procedimento.
A expectativa do médico é que, com a nova tecnologia, o procedimento passe a ser frequente, beneficiando mais pacientes.