Reconhecimento reúne ensino superior, pesquisa científica em saúde e assistência hospitalar; auditoria independente analisou 19 ações de biodiversidade e iniciativas de conservação da natureza
O Complexo Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR), conquistou a Certificação LIFE – Negócios & Biodiversidade, que contempla suas atividades de ensino superior, pesquisa científica em saúde e assistência hospitalar. É a primeira vez no mundo que a metodologia certifica atividades desses três setores, segundo o Instituto LIFE. O reconhecimento abrange a Faculdades Pequeno Príncipe, o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe e o Hospital Pequeno Príncipe, avaliados individualmente no âmbito da certificação do Complexo.
A conquista foi precedida por auditoria independente conduzida pela Neocert Certificações Florestais e Agrícolas, entre 21 e 24 de setembro de 2026. A avaliação considerou os impactos e as dependências das atividades institucionais em relação à biodiversidade, os procedimentos de governança, planejamento e monitoramento ambiental, além das ações voluntárias de conservação da natureza. O processo incluiu análise de documentos, entrevistas com profissionais e visitas técnicas às unidades do Complexo e ao Pequeno Príncipe Norte, projeto de expansão institucional.
A auditoria registrou 19 ações de biodiversidade e confirmou que a estratégia de conservação do Complexo, composta por iniciativas próprias e créditos de biodiversidade adquiridos, cumpriu as exigências de desempenho estabelecidas pela metodologia LIFE. A certificação tem validade até 7 de outubro de 2031.
“Esta certificação inédita para um complexo em saúde representa um marco em uma trajetória ambiental iniciada neste século. Acreditamos na ciência e nas evidências crescentes de que os problemas ambientais cada vez mais influem negativamente na saúde dos vulneráveis, principalmente idosos e crianças. Quem se dedica à proteção à infância há 107 anos precisa obrigatoriamente se projetar para o futuro e agir para que os bebês, crianças e adolescentes de hoje encontrem um meio ambiente saudável em sua vida adulta”, afirma José Álvaro da Silva Carneiro, diretor-corporativo do Complexo Pequeno Príncipe.
Da gestão ambiental à conservação da biodiversidade
A preparação para a Certificação LIFE, iniciada em 2024, levou o Complexo a integrar políticas e procedimentos ambientais da Faculdades, do Instituto de Pesquisa e do Hospital, respeitando as particularidades de cada unidade. O processo também incluiu o desenvolvimento de instrumentos para identificar impactos e dependências das atividades institucionais em relação à biodiversidade e orientar medidas de prevenção, redução de danos e conservação da natureza.
“Sabemos que a Certificação LIFE é o início de um longo trabalho: incorporar novos conceitos, princípios, práticas e métricas à cultura organizacional exige tempo e persistência para chegar ao efeito cardume e passar a repercutir interna e externamente”, ressalta José Álvaro.
Um exemplo concreto dessa atuação está no Pequeno Príncipe Norte, projeto de expansão do Complexo em Curitiba. Dos 20 hectares do terreno, oito correspondem a áreas verdes, incluindo bosque nativo e Área de Preservação Permanente (APP). Na primeira etapa do projeto, foram realizadas ações de recuperação ambiental, como a retirada de espécies exóticas, entre elas pinus e eucalipto, e o enriquecimento biológico com espécies nativas.
Um inventário da área registrou 16 espécies vegetais classificadas como raras, vulneráveis ou em perigo na Lista Vermelha da Flora do Paraná, entre elas o pinheiro-brasileiro, a imbuia e a canela-sassafrás. O projeto de conservação e manejo do bosque também recebeu uma certificação específica da metodologia LIFE, que reconheceu 3.922,15 créditos de biodiversidade associados à conservação de uma área de 2,53 hectares de Floresta Ombrófila Mista, conhecida como Floresta com Araucária.
Além das ações próprias de conservação, o Complexo adquiriu cinco mil Créditos LIFE de Biodiversidade em negociação realizada em junho de 2025 com a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), mediante investimento de US$ 15 mil. Os créditos estão associados à conservação de reservas naturais mantidas pela organização no litoral norte do Paraná, na região da Grande Reserva Mata Atlântica. A SPVS administra aproximadamente 19 mil hectares de reservas na região, dos quais uma parcela está vinculada à geração de créditos certificados pela metodologia LIFE.
O cálculo dos créditos considera a importância ecológica e a vulnerabilidade das áreas conservadas, além da qualidade das ações de gestão ambiental. A metodologia também prevê o monitoramento de indicadores de conservação ao longo do tempo. Para Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS, a iniciativa demonstra como parcerias podem contribuir para a proteção de áreas naturais. “Promover e estimular a adesão de corporações à Certificação LIFE é uma das melhores estratégias para incorporar a conservação da natureza aos negócios”
O que a biodiversidade tem a ver com a saúde
A relação entre saúde e conservação ambiental está no centro do conceito de Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e dos ecossistemas. A degradação ambiental, a poluição e as mudanças climáticas podem afetar as condições de vida e a ocorrência de doenças.
Na área de ensino, a Faculdades Pequeno Príncipe aborda as relações entre saúde e meio ambiente em diferentes cursos de graduação. Na Biomedicina, a disciplina de Análises Ambientais e Toxicológicas contempla o estudo da bioacumulação e da biomagnificação de poluentes, além de atividades de análise da qualidade da água e do ar. Na Farmácia, os estudantes discutem o uso racional e o descarte adequado de medicamentos, questões relacionadas à prevenção da contaminação ambiental.
A instituição também prepara a inclusão de disciplinas relacionadas à sustentabilidade e à biodiversidade nas matrizes curriculares de todos os cursos de graduação. Em 2026, estudantes, professores e profissionais técnico-administrativos participaram da elaboração da carta “Um Chamado pelo Clima”, que discute os efeitos da emergência climática sobre a saúde humana e apresenta propostas para fortalecer a educação climática, a pesquisa e a extensão.
“Queremos que os nossos estudantes de todos os níveis compreendam a relação entre saúde e meio ambiente e levem este aprendizado, forma de percepção intelectual e também atitude, para sua vida profissional. Todos os alunos e colaboradores têm um papel fundamental neste processo”, pontua José Álvaro.
Para Patricia Rauli, diretora-geral da Faculdades Pequeno Príncipe, a formação dos futuros profissionais de saúde deve estimular a compreensão de que os seres humanos fazem parte da natureza e são responsáveis pelo ambiente que deixarão às próximas gerações. “Nós temos a responsabilidade de formar pessoas que valorizem a vida e o legado que podemos deixar para as futuras gerações”, destaca.
Na pesquisa científica, o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe desenvolve estudos que investigam as relações entre saúde humana e meio ambiente. Um deles, realizado em parceria com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), analisa a presença de bactérias resistentes a antibióticos, genes de resistência e resíduos de medicamentos em efluentes hospitalares com vistas a determinar o melhor elemento filtrante. A pesquisa também investiga tecnologias para reduzir a disseminação desses contaminantes no ambiente.
Outra linha de investigação avalia os efeitos de medicamentos e agrotóxicos sobre os organismos vivos e os possíveis impactos dessas substâncias na saúde e no meio ambiente. Os estudos utilizam diferentes modelos experimentais, como células humanas e organismos aquáticos, para identificar alterações celulares, processos inflamatórios e danos provocados pela exposição a esses compostos. Entre os modelos utilizados nesse campo de pesquisa está o peixe-zebra, que compartilha aproximadamente 70% dos genes com os seres humanos, característica que contribui para a compreensão dos efeitos dessas substâncias e de seus possíveis riscos à saúde.
Biodiversidade entra na agenda da saúde e das organizações
A conservação da biodiversidade tem ganhado relevância na gestão das organizações. Em avaliação divulgada em fevereiro de 2026, a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) destacou que todas as atividades empresariais dependem, direta ou indiretamente, da natureza e exercem impactos sobre ela. O relatório reforça a importância de identificar essas relações e considerá-las nas decisões organizacionais.
Na área da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que ecossistemas saudáveis são fundamentais para o acesso à água limpa, aos alimentos e a medicamentos, além de contribuírem para a regulação de doenças. Essa conexão também orienta o Plano de Ação Global sobre Biodiversidade e Saúde, aprovado na COP16 da Biodiversidade, que incentiva a integração entre conservação ambiental e promoção da saúde.
“Como instituição filantrópica, o Pequeno Príncipe quer puxar a fila e trilhar o caminho da busca de equilíbrio ambiental. Convocamos outras organizações de saúde, ensino e pesquisa, públicas e privadas, para que se sintam inspiradas e façam o mesmo”, afirma José Álvaro.
O reconhecimento também representa um avanço na aproximação entre a conservação da biodiversidade e o setor da saúde, na avaliação do Instituto LIFE. “A certificação LIFE de uma organização de saúde constitui um avanço expressivo, pois consolida a percepção de que a conservação da biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas são indissociáveis da promoção da saúde humana e da qualidade de vida”, conclui Roberto Klabin, presidente do Instituto LIFE.
Sobre o Complexo Pequeno Príncipe
Com sede em Curitiba (PR), o Complexo Pequeno Príncipe reúne três unidades – o Hospital Pequeno Príncipe, a Faculdades Pequeno Príncipe e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe – que trabalham de forma integrada para promover saúde, educação e pesquisa, conforme o conceito Children’s Hospital, adotado pelos grandes centros pediátricos do mundo.
A instituição também atua na garantia dos direitos de crianças e adolescentes e na mobilização social, incentivando o acesso à educação, à arte e à cultura. Tudo isso alinhado à estratégia de sustentabilidade e impacto social. Desde 2019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.
Centenário e filantrópico, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil, oferece desde consultas a tratamentos de alta complexidade – como transplantes ósseos, renais, hepáticos, cardíacos e de medula óssea – em 47 especialidades e áreas de atuação em pediatria, com equipes multiprofissionais. Com 369 leitos (76 de UTI), destina 76% dos atendimentos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em 2025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, mais de 20 mil cirurgias, mais de um milhão de exames e 308 transplantes.
Em 2026, o Hospital foi listado na 63.ª posição mundial em pediatria no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2027, da revista norte-americana Newsweek, a mais alta de sua trajetória, e segue como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Além disso, é reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde.
Fundada em 2003, a Faculdades Pequeno Príncipe é referência no ensino em saúde e na formação humanizada de profissionais. Oferece cursos de graduação, especializações, residências multiprofissionais, mestrados, doutorados e cursos de curta duração. Em 2026, o curso de Medicina conquistou a nota máxima (5) no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED), do Ministério da Educação, integrando o grupo de 49 instituições mais bem avaliadas do país.
O Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe completou 20 anos em 2026, consolidando um modelo de medicina translacional que integra laboratório, formação acadêmica e prática clínica para transformar pesquisa em diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças complexas da infância.
O Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Aplicada à Saúde da Criança e do Adolescente, oferecido em conjunto com a Faculdades, tem nota 6 na Capes, com 870 artigos publicados e 237 mestres e doutores formados desde a sua criação. Sustentando essa produção científica, o Instituto mantém seu Biobanco – o primeiro do Paraná dedicado à pesquisa. Com cerca de 30 mil amostras e capacidade para até 230 mil, o acervo abastece estudos sobre tumores pediátricos raros, como o neuroblastoma, e o desenvolvimento da primeira vacina terapêutica.