90% dos médicos de SP veem interferência das operadoras

20 de julho, 2018

Nove em cada dez médicos que trabalham em território paulista declararam que há algum tipo de interferência dos planos de saúde no exercício da profissão. É o que revela uma pesquisa do Instituto Datafolha divulgada ontem (19).

Encomendada pela Associação Paulista de Medicina (APM), a análise mostrou que a principal intervenção das operadoras se dá com a glosa (censura) de procedimentos ou medidas terapêuticas. Essa ação foi citada por 64% dos 615 médicos consultados entre os dias 12 de junho e 2 de julho deste ano.

Os profissionais também indicaram que existem interferências relacionadas a restrições no tratamento de doenças pré-existentes (60%), a solicitações de exames para o diagnóstico e alternativas de tratamento (59%) e ao número de exames ou procedimentos (54%).

Ainda foram mencionadas influências dos planos no caso de prescrição de medicamentos de alto custo (50%), sobre o período de internação pré-operatório (50%) e o tempo da internação dos pacientes (47%).

Segundo especialista consultado pelo DCI, muitas intervenções das operadoras prejudicam o tratamento de pacientes.

“Pode acontecer de um médico indicar um tratamento e a operadora impor obstáculos para a sua realização. Em outros casos, há uma pressão para dar alta a pacientes que ainda não têm condição para isso”, afirma Mauro Aranha, coordenador do departamento jurídico do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

O especialista também criticou a atuação da Agência Nacional de Saúde (ANS), responsável pela fiscalização dos planos. “A agência tem mostrado uma leniência grande com alguns abusos cometidos pelos planos de saúde.”

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) defendeu, em nota divulgada ontem, que as operadoras são “sempre bem avaliadas, com média entre 70% e 80% de satisfação”, em pesquisas de opinião.

Em seguida, afirmou que “se mantém à disposição para manter um diálogo aberto” com os profissionais da categoria.

Clientes insatisfeitos

O levantamento também mostrou uma grande insatisfação dos clientes com os planos de saúde. Neste ano, 96% dos consumidores (cerca de 10,8 milhões de pessoas) relataram ter enfrentado problemas com as operadoras no Estado de São Paulo. No levantamento anterior, feito em 2012, 77% dos paulistas fizeram o mesmo tipo de reclamação.

Foram encontradas mais dificuldades no pronto atendimento e nas consultas. Nestas áreas, 82% e 76% dos indivíduos que usaram os serviços relataram problemas, respectivamente.

Também foram mencionadas complicações com exames diagnósticos (72%), internações hospitalares (53%) e procedimentos cirúrgicos (24%).

A pesquisa indicou, ainda, que 31% dos consumidores que não encontraram opções em seus planos de saúde tiveram que recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS) para resolver seus problemas. A parcela é superior à registrada em 2012, quando 20% das pessoas tiveram que apelar ao atendimento público.

Ainda assim, apenas 4% dos paulistas consultados disseram, neste ano, ter recorrido à Justiça contra alguma operadora de saúde. Para a realização dessa parte do levantamento, foram entrevistados 836 indivíduos entre os dias 25 de abril e 2 de maio.

Fonte: DCI
Data: 20.07.2018

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